“Sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo”, descreveu o padre Fábio de Melo sobre o problema que o acometeu.

Recentemente, o padre Fábio de Melo fez um desabafo eu seu perfil no Instagram a respeito de seu diagnóstico de síndrome do pânico. Entre os sintomas relatados por ele, estavam “sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo”. O distúrbio, cuja nomenclatura oficial na psiquiatria é transtorno de pânico, é caracterizado por ataques de pânico inesperados e recorrentes e pela preocupação excessiva com as próximas crises.

Ataques de pânico x transtorno de pânico

No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V, na sigla em inglês), considerado a bíblia da psiquiatria, ambos os problemas – ataque de pânico e transtorno de pânico – estão incluídos na categoria de transtornos de ansiedade ao lado de fobias, transtorno obsessivo compulsivo (Toc), stress pós-traumático, transtorno de ansiedade generalizado, entre outros.

Ataques de pânico são episódios abruptos de sensação de medo, apreensão, desconforto intenso ou terror que atinge seu pico em poucos minutos e podem ser motivados ou não. Esses eventos vêm acompanhados de sintomas físicos como falta de ar, palpitações, dor ou desconforto no peito, sensação de sufocamento, vertigem ou desmaio, tontura, estranheza, calafrios ou onda de calor, formigamento, náusea ou desconforto abdominal e medo de enlouquecer ou de perder o controle. Em geral, duram cerca de 20 minutos, embora a sensação de desconforto possa permanecer por mais tempo.

Já o transtorno de pânico é diagnosticada quando esses ataques são recorrentes e imotivados. Ele pode vir acompanhado de outras condições, como a agorafobia, quando a pessoa passa a evitar situações ou locais que possam estar associados a novas crises.

Prevalência

Pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens, entre os 20 e 30 anos de idade. “Uma história bem típica que ouvimos dos pacientes é ‘estava na faculdade e tive uma crise’ ou ‘estava na praia com os colegas e aconteceu’”, diz Sergio Cabral, psiquiatra do Programa de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria (Ipq) da USP em São Paulo.

Assim como os problemas de ansiedade em geral, o transtorno é mais comum em mulheres do que em homens. De acordo com um estudo epidemiológico brasileiro, a chance de uma mulher ter transtorno de pânico ao longo da vida (prevalência para a vida) é de 2,3. Enquanto nos homens é de apenas 1,7.

Causas e tratamento

Não há uma causa específica, mas entre os fatores de risco estão a hereditariedade – quem tem um parente de primeiro grau com o transtorno tem um risco de quatro a oito vezes maior – e ambientar, como o uso de drogas. O transtorno também está associado a um risco aumentado de suicídio e depressão.

O tratamento é medicamentoso, com a administração de inibidores da recaptura da serotonina, e psicoterápico, com sessões de terapia cognitivo comportamental. “Em casos menos graves, só a terapia cognitivo comportamento pode resolver”, afirma Cabral.

Mas nos mais graves, é preciso entrar com a medicação. A resposta do tratamento não é imediata. O remédio geralmente demora para fazer efeito e é preciso ajudar a dose. Mesmo quando a pessoa fica bem, o tratamento não é cessado imediatamente, mas a resposta é muito mais rápida e o risco de recaída muito menor quando é acompanhado pela psicoterapia.

A terapia cognitivo comportamental irá ensinar o paciente a lidar com a crise e, consequentemente, diminuir o medo dos próximos ataques, o que é um forte agravante no transtorno.

Cabral

O especialista ressalta a importância de uma avaliação médica para diagnóstico, já que o transtorno é comumente confundido com outros problemas de saúde. “Normalmente, quando procuram um psiquiatra, os pacientes já fizeram exame de tudo. É comum eles procurarem um pronto socorro achando que estão morrendo ou tendo um infarto. Uma vez que causas físicas são descartadas e se essas crises forem repetitivas, é importante procurar um profissional, pois a causa pode ser mental,”, finaliza.