Onze pessoas embarcaram para uma estadia de dez dias com despesas pagas pelo Estado, na mesma semana que servidores enfrentam escalonamento salarial.

Os dez dias de viagem do governador Pedro Taques (PSDB) e sua comitiva de 11 assessores custaram no mínimo R$ 226 mil aos cofres púbicos. Nem o anúncio de escalonamento de salários dos servidores públicos, nem a dívida de R$ 100 milhões de repasses aos municípios para o custeio do atendimento básico de saúde foram suficientes para o governo evitar maiores gastos e optar por uma viagem mais curta, ou com um número menor de assessores.

Não é a primeira vez que Taques é criticado por sair do país acompanhado por uma grade comitiva. Em 2015, quando participou da Conferência Mundial do Clima, Cop-21 de Paris, na França, o governador mato-grossense estava entre os chefes do executivo brasileiro que viajou com o maior número de acompanhantes oficiais, foram 12, contra quatro pessoas que integravam a comitiva do então governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

Circuito Mato Grosso levantou essa semana uma estimativa de quanto pode ter custado à expedição China de Taques.  Segundo o Gabinete de Comunicação do Governo (Gcom), 11 pessoas, dentre o governador, secretário, assessores, seguranças e técnicos, embarcaram para China com as contas pagas pelo Estado por um período de dez dias. Metade dos R$ 226 mil corresponderia ao pagamento de passagens áreas de Cuiabá a Pequim, a capital chinesa. Desconsiderando o fato de parte da comitiva também ir para Bonn, na Alemanha, participar da Conferência do Clima, a COP-23. 

Em checagem em sites de compras de passagens aéras foram averiguados preços variantes de R$ 4.897 a R$ 24.874, isso para compras planejadas com três meses de antecedência da data da viagem e em assentos de classe econômica. A média ficaria em R$ 10 mil, para ida e volta e a soma do preço dos bilhetes algo como R$ 110 mil.

As diárias

O governo também cobre as despesas de hospedagem e refeições dos 11 integrantes da comitiva oficial. Os valores estão distribuídos em diária por categorias, seguindo o cargo no staff.

No primeiro escalão, entram o governador Pedro Taques e o secretário de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Carlos Avalone. O valor atual para as despesas básicas é de US$ 485 para cada, aproximadamente R$ 1.580 na cotação de R$ 3,26 do dólar de sexta-feira (10).

Para os outros nove integrantes da comitiva, que inclui o secretário adjunto de Indústria e Comércio, Lucas Barros; o presidente da Metamat (Companhia Mato-grossense de Mineração), Roberto Vargas; 1 assessora de imprensa; 2 assessoras internacionais; 1 fotógrafo; 1 diretor financeiro; 1 diretor financeiro; 1 diretor de projetos; e 1 ajudante de ordem da Polícia Militar, a diária é de US$ 290 – cerca R$ 945 na cotação que fechou a semana.

 A cobertura de despesas está instituída pelo decreto nº 112 de junho de 2015.

 A soma das diárias para os dez dias na China (3 a 12 de novembro) é R$ 116.686. O valor estimado das passagens áreas mais as diárias da comitiva chega a R$ 226.686. Uma distribuição de R$ 22.600 de despesas diárias, lembrando que para os preços das passagens não foi considedo a compra de bilhetes para classe executiva, o que aumentaria consideravalmente o valor final da conta.

O grupo do governador Pedro Taques com servidores oficiais do Estado, empresários, deputados, prefeitos e vereadores é composto por 54 pessoas.  O Gcom afirma que, no entanto, estão sendo pagas despesas “apenas” de 11 servidores com relação direta às negociações na China.

Estão na entourage, por exemplo, o deputado estadual Oscar Bezerra (PSB), o diretor de relações institucionais da Famato, José Luiz Martins Fidelis, o diretor da Acrimat, Agenor Vieira de Andrade, a prefeita de Castanheiras, Mabel da Silva, e o prefeito de Sorriso, Ari Lafin.