Reportagem veiculada pela Globo News diz que informações repassadas por ex-governador de Mato Grosso podem abrir investigações no país.

A delação premiada assinada pelo ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), tem nome de políticos de Estados indicados como participantes de esquema de corrupção. As citações podem ter ligação com indícios de fraudes na licitação de obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), iniciada em 2010 em Cuiabá. Informações são da Globo News.

Em novembro de 2011, um analista do Ministério das Cidades admitiu que fora pressionado a adulterar dados de documentos, em trâmite no ministério, sobre a implantação do sistema BRT (Bus Rapid Trafic), primeiro modelo escolhido pelo Estado para melhorar a rede de transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande, visando a Copa do Mundo de 2014.

A adulteração teria abrido caminho para a mudança de projeto para VLT, que já custou o dobro de despesas estimadas para colocar o BRT em funcionamento. O BRT custaria R$ 489 milhões, e VLT foi orçado inicialmente em R$ 1,2 bilhão. A Controladoria-Geral da União protestou contra a escolha à época.

A adulteração de dados ocorreu por omissão de parecer que também mostrava a incapacidade técnica e de contingente na Grande Cuiabá para instalar o VLT. A nota que indicava os problemas não foi apresentada pelo analista técnico do Ministério das Cidades ao Ministério Público Federal (MPF).

‘Monstruosidade’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, mesmo não tendo homologado ainda o termo de colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) adiantou que se trata de uma delação “monstruosa”.

“Essa é monstruosa, depois da Lava Jato é a maior operação. Silval trouxe material, mas não foi homologada ainda”, disse o ministro a jornalistas, ao chegar para a sessão plenária do STF.

Silval Barbosa ficou preso preventivamente durante um ano e nove meses acusado de liderar esquemas de desvios de dinheiro dos cofres públicos do Estado de Mato Grosso investigado na Operação Sodoma.

Com várias ações penais em tramitação na Vara Contra o Crime Organizado, ao decidir confessar os crimes que cometeu, em junho deste ano, Silval trocou a banca de advogados que o defendia. Logo depois, ele conseguiu a conversão da prisão preventiva em domiciliar sob fiança de mais de R$ 46 milhões.

A defesa, representada pelo advogado criminalista Délio Fortes Lins e Silva Júnior, ná época negou os rumores de tratativa de acordo de colaboração premiada com Procuradoria-Geral da República (PGR) com anuência do STF, onde o ex-governador levantaria um suposto montante de R$ 100 milhões a serem devolvidos aos cofres públicos.

Na 1ª fase da Sodoma, Silval é acusado de cobrar R$ 2 milhões em propina para concessão de incentivos fiscais.

Na segunda fase, o ex-governador é acusado de ter encabeçado uma fraude na compra de um terreno avaliado em R$ 13 milhões, comprado com dinheiro de propina. Com isso, a 3ª fase aprofundou a investigação e identificou o esquema em que agentes públicos recebiam propina para conseguir contratos com o Executivo estadual.

A 4ª fase da operação revelou irregularidades na desapropriação do terreno comprado por R$ 37,7 milhões, no bairro Jardim Liberdade. Na quinta fase a operação investiga o suposto desvio de R$ 8,1 milhões em troca da concessão de contratos e de compras fraudulentas de combustível.

Além da Sodoma, Silval também é investigado pela Operação Seven, acusado de ter transformado um parque estadual em unidade de conservação ecológica para dar legalidade a um esquema que desviou R$ 7 milhões dos cofres públicos do Estado.

Na Justiça Federal, o ex-governador também foi alvo de investigação por crimes de lavagem de dinheiro na Operação Ararath e em uma ação do Ministério Público Federal (MPF) por irregularidades na escolha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) como o modal de transporte da Grande Cuiabá, para o Copa do Mundo de 2014, na qual teriam sido desviados cerca de R$ 541 milhões.