Investigados receberiam vantagens para alterar dados do sistema de monitoramento eletrônico da Sejudh. Foram expedidas 8 ordens judiciais em MT.

Quatro servidores estaduais foram conduzidos nesta terça-feira (10), em Cuiabá, para depor sobre um suposto comércio de lacres falsos de tornozeleiras eletrônicas em Mato Grosso. De acordo com a Polícia Civil, investigações recentes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apontam a existência de um suposto esquema ilegal envolvendo servidores da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) que comercializavam lacres falsos dos equipamentos que monitoram presos.

A Sejudh não havia se posicionado a respeito do caso até a publicação desta reportagem. Segundo a GCCO, foram expedidas e cumpridas oito ordens judiciais, sendo quatro mandados de busca e apreensão domiciliar e quatro conduções coercitivas. Os investigados são servidores estaduais de carreira, que supostamente receberiam vantagens indevidas para alterar dados do sistema de monitoramento eletrônico da Sejudh.

O delegado da GCCO, Diogo Santana Souza, disse por meio de assessoria que as investigações começaram há três meses. A ação policial desta terça-feira foi feita para apreender os aparelhos celulares dos investigados, além de conduzi-los para serem interrogados sobre o suposto esquema.

Conforme a Polícia Civil, os suspeitos poderão responder pelos crimes organização criminosa, corrupção passiva e extorsão. A investigação aponta um suposto esquema ilegal, envolvendo servidores que trabalham ou já trabalham no setor de monitoramento.

As ordens judiciais foram decretadas pela 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá.

Monitoramento

Mato Grosso é o segundo estado do país com o maior número de presos monitorados por tornozeleira eletrônica. Ao todo, 2.857 presos são monitorados pelo equipamento no estado. O custo mensal dos equipamentos por preso monitorado em Mato Grosso, segundo a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT), é de R$ 255,76. Os detentos são monitorados em 33 cidades, dos 141 municípios do estado.

As tornozeleiras são opção da Justiça para que presos cumpram regime domiciliar e continuem sendo monitorados. Os equipamentos funcionam com um módulo GPS, como em carros, no qual são instalados um modem de celular, para transmissão de dados, com dois cartões de operadoras diferentes a fim de se evitar ausência de sinal.