O ex-chefe da Casa Civil está preso suspeito de atrapalhar as investigações de escutas telefônicas clandestinas em MT.

O pedido de habeas corpus do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques foi negado nesta sexta-feira (06), pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ribeiro Dantes. O pedido havia sido protocolado no dia 3 de outubro.

Paulo Taques está preso desde o dia 27 de setembro durante a deflagração da Operação Esdras, que desarticulou o núcleo da organização criminosa que estava agindo para atrapalhar as investigações sobre as interceptações telefônicas clandestinas em Mato Grosso. O pedido de prisão preventiva foi feito pelo desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. 

Ele cumpre prisão preventiva no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). Lá ele divide a cela com o ex-secretário de Segurança, Rogers Jarbas, também preso na mesma operação. 

O major da PM Michel Ferronato, outro investigado na Operação Esdras, também ingressou com habeas corpus no STJ para reverter a decisão de sua prisão preventiva. O pedido dele será relatado pelo ministro da Sexta Turma, Antônio Saldanha Palheiro.

Na terça (3), o STJ negou pedido semelhante apresentado pelo ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Airton Siqueira. O ministro da Quinta Turma, Ribeiro Dantas negou o pedido de HC, com considerar ter pouca informação sobre o caso que o levou à prisão. Ele ainda determinou vistas ao Ministério público Federal (MPF).

Operação Esdras

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Esdras foi deflagrada para impedir que a organização criminosa executasse planos de obstrução da Justiça na investigação dos casos. As investigações apontam que o grupo tentava atrapalhar as apurações de grampos telefônicos com cooptação e coação de policial militar integrante no inquérito, para conseguir imagens e áudios do desembargador Orlando Perri, que pudessem ser deturpadas e usadas para pedir sua suspeição do magistrado do caso.

Além de Paulo Taques, foram presos também o major PM, Michel Ferronato; o secretário da Sejudh, Airton Siqueira; o ex-chefe da Casa Militar, coronel PM Evandro Lesco; a personal trainer, Helen Christy Lesco, mulher do secretário; o ex-secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas; o empresário José Marilson da Silva; e o sargento PM, João Ricardo Soler.

Todos os ex-secretários do governador Pedro Taques foram presos em decorrência de investigação de grampos telefônicos, que teria operado em Mato Grosso a partir de 2014, sob a coordenação da Polícia Militar. 

Segunda prisão

O primo do governador Pedro Taques (PSDB) já havia sido preso no ínicio de agosto, acusado de ter ordenado policiais militares a fazerem escutas telefônicas de pessoas que não cometeram nenhum tipo de crime.

Paulo ficou sete dias cumprindo a medida preventiva no CCC, até conseguir uma ordem de soltura determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob algumas restrições.