Os dados do avanço da degradação na Bacia do Alto Paraguai (BAP), do Instituto SOS Pantanal, revelaram que o bioma perdeu 495 km2 de áreas naturais convertidas.

Pantanal perdeu no ultimo ano, 495 km2 de áreas naturais convertidas para uso antrópico. Apesar dos números revelarem uma pequena redução em relação ao mesmo período, os dados apontaram um aumento na conversão das áreas de mata nativa dentro da planície, o bioma Pantanal, dentro da Bacia do Alto Paraguai (BAP). Os número são do Instituto SOS Pantanal  que desde 2008 monitora a degradação na Bacia do Alto Paraguai (BAP).

“É a primeira vez que a degradação na áera de planície é maior do que na áera de planalto dentro da BAP”, afirma Felipe Dias, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal. É um dos biomas mais esquecidos, afinal muitas das políticas públicas hoje são toda voltadas para a Amazônia”. 

Em novembro o vice-governador de MAto Grosso viaja para Alemanhã para a reunião da COP 23, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em Bonn. Grande parte das ações a serem discutidas durante o evento são voltadas para as áreas de floresta de Mato Grosso e não para as áeras úmidas como o Pantanal.   

Um dos pontos alarmantes do estudo do instituto SOS Pantanal é a rapidez que a devstação tem avançado dentro do bioma, que ao contrário da Amazônia tem uma área muito menor, com 150 km2. “A velocidade com que essa conversão ocorre é algo que deve ser considerado com muita atenção. Já são cerca de seis campos de futebol por hora de perda de mata nativa”, afirmou Marcos Rosa, responsável pelo estudo, coordenado pelo Instituto SOS Pantanal, e executado pela empresa ArcPlan.

Dos municípios campeões em devstação dois estão em MT

Os três campeões do desmatamento na Bacia do Alto Paraguai desmataram uma área equivalente ao tamanho de Salvador (BA) ou duas Belos Horizontes (MG), com 63.166 hectares. Entre os campeões de “desmatamento” (Áreas Naturais, principalmente do grupo das classes de “Savanas Arborizadas”, “Savanas Gramíneas”, “Savanas Florestadas” e Formações Florestais, são convertidas para Áreas Antrópicas, principalmente para a classe de “Pastagem” e “Alteração Antrópica”) na BAP, estão Corumbá (MS), Cáceres (MT) e Santo Antônio do Leverger (MT). Corumbá lidera o ranking desde 2002, quando o monitoramento começou a ser feito. No monitoramento do período 2014 / 2016, o município, desmatou o dobro do que Cáceres e Santo Antônio, com 35.137 hectares. Os dois municípios mato-grossenses perderam áreas de 15.447 e 12.582 respectivamente.

“Corumbá é o município de maior área na região da Bacia do Alto Paraguai e o que possui 78% da sua área dentro do Pantanal, até por isso, é o que mais perde área ao longo dos anos. Os números para o Município de Corumbá são alarmantes, mas precisamos também chamar atenção dos municípios que, apesar de terem menos de um terço do tamanho de Corumbá, como Santo Antônio do Leverger (MT) e Aquidauana (MS), estão entre os cinco que mais tiveram alterações de suas áreas naturais”, explica Felipe Augusto Dias, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal.

O Atlas do Instituto SOS Pantanal apontou que o Pantanal, a área de planície da BAP, perdeu até 2016 15,7% de suas áreas naturais. A situação da região de planalto na BAP é mais grave ainda, pois a regiões já tem 61% de perda de vegetação natural.   “Decidimos monitorar a Bacia do Alto Paraguai por que a planície pantaneira é diretamente influenciada pelo planalto, pois é nele que estão as nascentes dos rios. E historicamente é onde o desmatamento avançou com mais força.”, explica Dias.  As áreas naturais de savanas gramíneas, arborizadas e florestadas são as mais impactadas com 177.469 hectares convertidos, de um total de 220.519 hectares convertidos na BAP no período entre 2014 e 2016.

Dentro do bioma Pantanal, o total de áreas naturais convertidas foi de 103.953 hectares. A expansão das pastagens plantadas (exóticas), lidera o processo de antropização no Pantanal, com um aumento de 65.892 hectares sobre as matas nativas, seguido pelo aumento de áreas da classe “alteração antrópica”, que expandiu 37.941 hectares sobre as áreas naturais. As áreas de pastagem plantada no Pantanal, consolidaram-se ainda, sobre áreas já alteradas em anos anteriores, somando uma área de 104.700 hectares.

 

Monocultura

Outro dado alarmante que o estudo traz é sobre como a destruição avança dentro do bioma Pantanal.  A maioria das novas áreas abertas nos municípios campeões do ranking estão dentro da Planície Pantaneira. A única exceção foi o município de Porto Murtinho (MS), no qual a área perdida dentro do Cerrado na BAP (6479 hectares) foi um pouco maior do que no Pantanal (6322 hectares).

“A soja tem sido um grande vetor de desmatamento em todo o Pantanal, principalmente nesse novo monitoramento (2017, que segue em curso), apesar da conversão de pastagens naturais em exóticas ainda ser o grande responsável por esses índices. Essa é uma tendência que existia apenas no Planalto, onde a cultura domina a paisagem do cerrado, e agora vemos migrar para as áreas de planície”, explica Dias.

A soja e a silvicultura foram as culturas que mais avançaram em Corumbá, o líder do ranking. O rebanho de bovinos caiu 15,9% nos últimos 12 anos em Mato Grosso do Sul, conforme dado divulgado do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O último levantamento é referente a 2014 e mostra como a atividade perdeu espaço para a soja, cana de açúcar e floresta de eucalipto no Estado.

O Pantanal

A região, um dos locais mais mega diversos do planeta, é refúgio de fauna de 463 espécies de aves e 132 de mamíferos e refúgio de animais em extinção em outros biomas, como a onça-pintada.

O Instituto SOS Pantanal é uma organização não-governamental, privada, sem vínculos partidários ou religiosos e sem fins lucrativos. Lançada em julho de 2009 tem a missão de informar e promover o diálogo para um Pantanal sustentável. Sua estrutura organizacional é composta por 30 conselheiros que se dividem em Conselho Diretor, Conselho Fiscal e Conselho Técnico Científico Político.