O repórter Arthur Garcia confirmou ser autor da gravação do áudio em que o deputado estadual Jajah Neves (PSDB) diz, entre outras coisas, que devolve a verba indenizatória de R$ 65 mil ao secretário de Cidades e deputado licenciado Wilson Santos (PSDB). A informação é do site O Livre.

O jornalista contou que a gravação ocorreu em fevereiro de 2017, num restaurante de Cuiabá. Ele explicou que havia se demitido do programa do deputado dias antes e discutia a possibilidade de “parceria” para um programa na internet.

Na conversa, Jajah passou a lamentar a situação financeira da TV Mato Grosso. No áudio, ele diz claramente que a emissora “só sobrevive” graças aos contratos que ele arruma com o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa.

“A minha intenção era mostrar a verdade de alguns políticos, para que a sociedade náo seja enganada. Se eu ocultasse ou quisesse coagir ou extorquir, eu ficaria em uma situação de criminoso”, disse Garcia.

A declaração do jornalista surge dois dias após o deputado Jajah Neves divulgar o laudo de uma perícia contratada com o assistente técnico Ricardo Molina, o mesmo contratado pelo presidente Michel Temer (PMDB) para analisar a gravação feita pelo empresário Joesley Batista. Molina considerou a gravação como um “montagem criminosa” e sem valor jurídico nenhum.

O Ministério Público Estadual instaurou um procedimento para investigar a gravação. O órgão já tinha o conhecimento de que o repórter era o autor do áudio e iria chama-lo para prestar esclarecimentos, além de entregar a íntegra da gravação.

Jajah Neves e Wilson Santos também serão intimados a prestarem esclarecimentos.

ÁUDIO

O vídeo com a denúncia de Jajah circulou nas redes sociais no último dia 11 de janeiro. Num dos trechos da gravação, que é narrada pelo serviço de voz feminina disponibilizada pelo, Neves teria dito que “sustenta“ a TV Mato Grosso, onde apresenta um programa, com dinheiro público.

Num outro ponto, o suplente, que ocupa temporariamente a vaga do deputado estadual Wilson Santos (PSDB), que tirou licença para chefiar a Secretaria de Estado de Cidades (Secid-MT), disse que repassa a verba indenizatória – onde o parlamentar é ressarcido por despesas com combustíveis, aluguel de imóveis, locação de veículos etc -, no valor de R$ 65 mil, ao próprio Santos, que segundo ele, “liga três dias antes dela cair”. Ele também reclamou que apesar de ser suplente “não conseguiu meter nenhuma nomeação”.

Nem mesmo o irmão do suplente, o vereador de Várzea Grande, na região metropolitana, Ademar Jajah (PSDB), escapou da ‘língua ferina’ de Jajah Neves, que disse que apesar de resolver a “vida” do parente, ajudando-o em sua campanha a Câmara Municipal de VG, ele ainda esta devendo até o “c*”, que sua eleição “lhe deu prejuízo” e que saiu “queimado” do processo – em referência ao caso dos “santinhos” utilizados por Ademar em sua campanha, mas que tinham a imagem do suplente. Um processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) que pode decretar a inelegibilidade do parlamentar estadual.

O secretário Wilson Santos garantiu que não recebe a verba indenizatória do suplente. Ele diz que assinou documento garantindo que o benefício é utilizado pelo atual detentor da cadeira.

Já Jajah Neves havia se pronunciado apenas por meio de uma nota de esclarecimento. O tucano considerou o vídeo como “pirata” e garantiu que não repassa a verba para o secretário de Cidades.