Duas semanas após o anúncio de redução de 5% no preço do gás de cozinha (botijões de 13 kg) pela Petrobras nas refinarias, os valores cobrados do consumidor não sofreram alteração em Mato Grosso.  O levantamento da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) aponta queda de 52 centavos no preço do gás no Estado desde o comunicado de redução até a semana passada. No entanto, as revendas de Cuiabá informam que não houve baixa no valor pago por elas e o custo ao consumidor segue inalterado. No Estado o preço do GLP varia de R$ 80 a R$ 115, sendo o menor em Cá- ceres e o maior em Alta Floresta.
Tiago Virgulino, gerente de uma revenda de gás de Cuiabá, informa que o preço praticado pela distribuidora não foi alterado. “Continuamos com o preço de antes, de R$ 95, porque para nós não teve redução”. Ele informa que o preço elevado “afugenta” os clientes e provoca perdas.
Airton Veira, proprietário de outra revenda, também afirma que o preço praticado pela distribuidora não mudou e que o gás é comercializado por R$ 100. “Mantivemos este preço desde o fim do ano passado, quando houve o último aumento. O preço do gás subiu 67% desde o começo do ano passado, com 6 aumentos no decorrer do ano”, completa. “Agora eles reduziram o valor na refinaria, mas esta baixa não chega na ponta. E com esses aumentos chegamos a perder cerca de 10% de margem de lucro”, calcula.
Para o consumidor, a alta no produto pesa no bolso, mas como item essencial não pode ser cortado da lista. “Pago em média de R$ 85 a R$ 90, varia de acordo com a marca. Cotei há 2 meses, mas continua este valor. Tem lugares que cobram de R$ 100 a R$ 105. Antes eu pagava uma média de R$ 70 a R$ 75. A gente sente o peso porque aumenta a cada 2 meses, uma média de R$ 10, então afeta o orçamento. Mas não tem como correr, porque tem que cozinhar, fazer almoço e janta e tem que abraçar (o preço)”, diz o caminhoneiro Jonas Portela.
Ato publicado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) em 23 de janeiro mostra que sobre o GLP de Mato Grosso é praticada uma alíquota de 12% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) estima o quilo do combustível em R$ 7,37, chegando a R$ 95,85 pelo botijão de 13 kg como preço de referência para cobrança do imposto. Com a alíquota de 12%, o ICMS do botijão custa R$ 11,50. Segundo a Sefaz, o preço médio é estabelecido por meio de realização de pesquisas quinzenais junto a revendas de 42 municípios. A alíquota está entre as menores do país. Em alguns estados chega 18%.