Atualizada às 12h24 e às 13h45 e corrigida às 14h04 – A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (1) a Operação Prenda-me Se For Capaz, com o objetivo de coibir a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional. Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, um mandado de busca e apreensão e uma quebra do sigilo bancário na cidade de Barra do Garças (509 km a Leste de Cuiabá).

Conforme a imprensa local, o alvo da prisão preventiva é o ex-gerente-geral do Sicoob, Antônio Paulo Cabral, que foi preso em Jataí (GO). Relatos dão conta de que o executivo estaria “sumido” de Barra do Garças há cerca de 2 anos, período compatível com uma penalidade que ele sofreu administrativamente no âmbito do Sicoob.

Ele teria cometido fraudes em contas de vários cooperados, inclusive do ex-prefeito da cidade Wanderlei Faria (PR), que cobra cerca de R$ 90 mil em uma ação judicial.

Conforme apurado, “Cabral”, como é conhecido na cidade, está afastado da cooperativa desde novembro de 2016. Foi a própria cooperativa que denunciou o caso à Polícia, para que fraudes e roubos aos valores dos clientes fossem investigados.

Por meio de nota, o Sicoob informou que está disposição da Justiça para colaborar no que for necessário para solucionar o caso.

Segundo a assessoria, o atendimento aos cooperados está sendo realizado normalmente nos horários habituais, no entanto, o Gazeta Digital apurou que os agentes da Polícia Federal somente deixaram o local por volta do meio-dia.

Operação da PF

A investigação teve início em fevereiro de 2017 para apurar a prática de gestão fraudulenta e apropriação indébita no âmbito de um banco situado em Barra do Garças. Denúncias apontaram inúmeras fraudes na gestão da cooperativa por seu gerente geral, o qual foi preso preventivamente no dia de hoje por ser o suposto autor do delito.

Em síntese, as fraudes consistiam em utilização de artifícios destinados a manter em erro os cooperados e, dessa forma, obter vantagem ilícita de natureza patrimonial. Estima-se um desvio de R$ 2 a 4 milhões com a prática das seguintes condutas. Saques em contas dos cooperados sem as respectivas autorizações, empréstimos simulados e adiantamento de créditos a depositante em valores elevados, não fornecimento de informes financeiros de Imposto de Renda, liberação indevida de cheques, descontos não autorizados de Notas Promissórias Rurais, saques através de cheques supostamente falsificados.

O nome da operação é uma referência ao filme “Prenda-me Se For Capaz”, cujas atitudes do personagem principal (Leonardo di Caprio) em muito se assemelham ao investigado real. No filme, o ator interpreta um homem conhecido pelas suas artimanhas contra o sistema bancário e que por diversas vezes consegue driblar a polícia, estando sempre foragido. Porém, no fim da trama, o criminoso é capturado e preso, tal qual o principal investigado pela PF de Barra do Garças.

Outro caso

Além do caso de Antônio Paulo Cabral, outro ex-gerente do Sicoob no interior do estado já foi alvo de processos por cometimento de fraudes foi o executivo Ernando Cabral Machado, que foi impedido de assumir cargos de direção na cooperativa de crédito, onde chegou a exercer o cargo de presidente executivo. 

Concomitantemente, ele também foi eleito para o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração. Mas o regulamento impedia o exercício de ambos os cargos ao mesmo tempo.

As condenações foram impostas em função de infração grave ocorrida durante a administração de Ernando. Em 2014, ele entrou com recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pare reverter a pena, o que contou com parecer negativo do Ministério Público Federal (MPF). O executivo deixou o processo correr sem mais se manifestar nos autos, que foram arquivados no ano passado.

(Com informações da Assessoria da PF)