No 9º dia de paralisação, além da falta de vários itens alimentícios, população de Mato Grosso começa a ficar sem gás, água e biodiesel.

Cuiabá e Várzea Grande (além de outras cidades do interior) também estão sofrendo com a falta de gás, além da pouca oferta de gasolina e álcool. Todos esses produtos começaram a rarear desde o sábado (26), quando as empresas distribuidoras admitiram ao Circuito Mato Grosso que seus estoques durariam no máximo até esta segunda-feira (28). Dito e feito.

Uma fonte do Sindicato das Usinas de Biodiesel do Mato Grosso (Sindibio-MT) informou que o mesmo está acontecendo com o produto. “O biodiesel precisa de um percentual de diesel convencional na mistura e de etanol para refino. Os dois produtos não têm chegado até as usinas, assim como o biodiesel não tem saído delas”, explicou a fonte.

Isso levou à descontinuação tanto da produção quanto da distribuição. Esse biocombustível é utilizado essencialmente no interior, onde alimenta máquinas agrícolas e industriais, tratores e alguns caminhões.

De acordo com a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) Mato Grosso produz 85% de seu biodiesel a partir da extração de biomassa de soja, 10% de sebo bovino e 5% de outros óleos. Na última estimativa divulgada, em 2016, éramos responsáveis por nada menos que 21,9% de toda a produção nacional, cerca de 408,7 milhões de litros somente no primeiro semestre daquele ano.

Sem previsão de normalização

Conforme matéria deste mesmo Circuito, os caminhoneiros ignoraram o anúncio de acordo feito pelo presidente Michel Temer (MDB) na noite de domingo (27) e seguiram com a paralisação, agora seguidos por grupos isolados, que pedem intervenção militar. A notícia alentadora veio do presidente do Sindicato dos produtores e distribuidores de álcool (Sindálcool), Jorge dos Santos.

“Nós ainda temos estoques, as usinas estão cheias. Não há problema de nossa parte, e a informação que eu recebi é que cinco carretas com combustíveis Ipiranga estão na cidade de Cuiabá”, disse, por telefone. Para ele, tudo irá voltar à normalidade se as forças de segurança mantiverem a escolta, como vem sendo feita para manutenção da distribuição neste final de semana e durante toda esta segunda-feira. Ainda segundo Santos, a normalização nos postos, entretanto, deve demorar entre dois a três dias, caso os caminhoneiros retomem o fluxo normal de transporte e distribuição a partir desta terça-feira (29).

O presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás GLP do Centro-Oeste em Mato Grosso (Sinergás-MT), Alan Rener Tavares, não atendeu o telefone para explicar oficialmente qual a situação do desabastecimento de gás em Cuiabá e Várzea Grande, mas a informação dos revendedores varejistas (que também distribuem água) é de falta continuada em pelo menos 10 bairros na capital e outros seis na segunda maior cidade do Estado.

A distribuidora da Supergasbrás reduziu o horário do expediente da empresa. A área de abrangência dela, que inclui vários bairros da cidade industrial e alguns de Cuiabá, já não tem mais o produto.

A grande concorrente deles e maior envasadora de gás do país, a Copagaz, está na mesma situação: reduziu horário de funcionamento da empresa porque com distribuição de combustível descontinuada, o envasamento teve de ser reduzido na sede da empresa, também localizada no Distrito Industrial, em Cuiabá. Também é de lá que saem os protestos e buzinaços diários dos caminhoneiros. O botijão GLP Industrial sofreu um reajuste de 7,1% no início deste maio, e a Petrobras fez um ajuste de 3,6% sobre o produto, colocando-o no preço atual: R$ 120, em média, no preço final ao consumidor.