As apurações apontaram que seria dele a arma da qual saiu o tiro que matou Scheifer. O inquérito que investiga a morte do tenente Carlos Henrique Scheifer ainda não foi finalizado.

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O cabo da Polícia Militar, Lucélio Gomes Jacinto, dono da arma da qual saiu o tiro que matou o tenente Carlos Henrique Scheifer no ano passado, afirmou que o incidente foi uma fatalidade. Em entrevista exclusiva ele afirmou que seu histórico na PM é irrepreensível e que está sendo julgado antes que as investigações sejam concluídas.
 
Na última semana, ele recebeu Honra ao Mérito da Subchefia do Estado Maior Geral da Polícia Militar, por seus serviços prestados e a viúva de Scheifer criticou fortemente a homenagem por meio das redes sociais.

Questionada, a  Corregedoria da PM o elogio foi uma ação pessoal do Coronel Henrique Correa da Silva Santos, então subchefe do Estado Maior Geral, e não da instituição.
 
O inquérito que investiga a morte do tenente Carlos Henrique Scheifer ainda não foi finalizado. As apurações apontaram que seria dele a arma da qual saiu o tiro que matou Scheifer. De acordo com a Corregedoria da PM, todas as diligências determinadas pelo Ministério Público já foram feitas e estão com o encarregado, aguardando o laudo pericial da reprodução simulada dos fatos, devido à sua complexidade.

O cabo Jacinto afirmou que o caso foi uma fatalidade e que nunca passou por alguma situação parecida antes. Todos os três policiais envolvidos no incidente permanecem afastados do serviço operacional.

“Posso falar que foi uma fatalidade, ele era um irmão de farda, tudo que eu pude fazer ali no momento eu fiz, não posso ter minha carreira destruída por causa disso, você pode ver meu histórico, sempre fui correto, tenho 13 anos de polícia, não tem nenhuma outra denúncia contra mim”.

Ele recentemente recebeu Honra ao Mérito do coronel Henrique Correa da Silva Santos, que saía da Subchefia do Estado Maior Geral da Polícia Militar. De acordo com o coronel a ação se trata de um elogio que foi feito a toda a equipe que trabalhou com ele no gabinete enquanto era subchefe de Estado Maior e que foi uma ação sua, pessoal, não da instituição.

“O elogio a ele se refere ao período específico. Uma forma de agradecer os serviços dos policiais militares que estiveram comigo na função, foram seis militares no total. Uma coisa não tem nada haver com a outra”, disse o coronel.

Com relação ao dia do incidente, o cabo não quis dar mais informações, mas reforçou que este foi um caso isolado e que está sendo julgado antes do inquérito ser concluído. Ele disse que aguarda ansiosamente o resultado.
 
“Depois que ele saiu da subchefia decidiu homenagear quem trabalhou com ele, ele entendeu que aquilo, com o tenente, foi um incidente isolado. Mas tudo está sendo investigado. Está tudo ali nos inquéritos, o que aconteceu, fizeram a reprodução simulada lá, já está quase finalizando a investigação, e acredito que o resultado vai ser em meu favor”, disse Lucélio.

Sobre o inquérito do tenente policial Sheifer, a Corregedoria da PM afirmou que continua apurando o caso e que Jacinto, que foi afastado de suas funções e atualmente está trabalhando como motorista na instituição, deve continuar assim até que as investigações sejam concluídas.
 
O caso
 
O tenente Scheifer foi alvejado no abdômen enquanto participava da operação de buscas pelos criminosos no Distrito de União do Norte, próximo a Peixoto do Azevedo (695 km de Cuiabá) no último dia 13 de maio. A vítima havia integrado o batalhão há pouco tempo, depois de deixar o Grupo Especial de Fronteira (Gefron).
 
A princípio, a história repassada pelos colegas de Scheifer era de que ele teria sido atingido durante um confronto com a quadrilha que perseguiam na operação. No entanto, no último mês de agosto o corregedor-geral da Polícia Militar na época, coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, afirmou que o tal confronto foi inventado e o tenente morreu vítima de um disparo feito por um de seus colegas durante um patrulhamento. Por causa disso ele sugeriu novas diligências.
 
Antes da morte do policial, os militares da região e do Bope haviam capturado quatro homens suspeitos de integrarem a mesma quadrilha. Essas prisões levaram à apreensão de armas, entre as quais dois fuzis 556, e munições. O Ministério Público e a 11ª Vara Militar também analisaram o inquérito e concordaram com a realização de novas diligências.

No último dia 28 de março foi realizada a reprodução simulada do caso, no distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo. A finalização dos laudos deve acontecer em breve.