De volta ao Corinthians, Rosenberg diz estar preocupado com dívida

Luis Paulo Rosenberg, 73, diz ter medo de que sua família questione suas faculdades mentais. Economista, professor, consultor e palestrante, ele vai acumular tudo isso com a função de homem forte da administração do deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP), eleito no sábado (3) presidente do Corinthians.

Rosenberg volta ao clube para comandar o marketing, a comunicação e ser o negociador da dívida do Itaquerão. Afirma que seu departamento estará ligado ao jurídico e financeiro, como uma espécie de primeiro ministro da administração corintiana.

Sanchez o colocou no cargo depois de dizer, durante a campanha, que o problema financeiro do estádio será resolvido rapidamente.

Em entrevista à Folha, Rosenberg crê que todas as suas funções estão interligadas e afirma manter a ideia de que o estádio precisa ser um polo de desenvolvimento da zona leste de São Paulo. Nesta sexta (9), ele deverá estar no estádio Bruno José Daniel, quando o Corinthians enfrenta o Santo André, às 19h, pelo Campeonato Paulista.

 

A arena é pagável?

Luis Paulo Rosenberg – Claro que é pagável. O estádio tem uma peculiaridade que não aparece no debate. Existem dois estádios. Um é o do Corinthians. Existe outro concebido para que São Paulo pudesse abrigar a Copa.

A estratégia de renegociação com a Caixa é alongar o perfil da dívida?

A estratégia de negociação a gente não conta para a imprensa. É inegável que existia uma realidade [econômica] quando o estádio foi concebido e existe outra hoje. Houve uma mudança de cenário.

Esse argumento será apresentado na negociação?

É um ponto importante. Todo argumento é negociação. Precisamos achar a realidade.

Existe desgaste da imagem do Corinthians pela ligação com a Odebrecht no estádio?

Why? [Por quê?, em inglês] Se algum funcionário cometer um crime no estádio a culpa será do Corinthians? Se ficar provado que a Odebrecht cometeu alguma irregularidade, será muito grave. Fiquei muito tempo envolvido no projeto e não vi nada [de errado].

Mas é inegável que há desgaste da imagem da Odebrecht.

Ela está tratando do assunto. O que o Corinthians tem a ver com isso? Você acha que toda empresa que lidou com o estádio é safada?

Informalmente, a Odebrecht reclama do projeto do estádio, que poderia ser mais barato. O senhor participou desde o início. O que pensa sobre isso?

É uma besteira enorme. Ninguém colocou mármore e fonte luminosa para atrair votos. Foi para criar atmosfera que proporcionasse ao torcedor uma visita inesquecível. Não é vaidade. O que você vê é um estádio moderno. Nós fomos construí-lo em região em que o metro quadrado é mais barato, então tivemos mais espaço. É estádio com acessibilidade fácil. Temos condições de ativar lá grandes shows para 30 mil pessoas sem congestionar a região. O estádio precisa ser explorado.

Há aspectos que foram feitos por causa da Copa. Foi ato de vontade política que São Paulo não poderia ficar fora da abertura. A arena é composta por dois estádios. O do Corinthians e o da Copa. Onde você vê excessos é o da Copa.

O estádio é deficitário?

Não. Gera superávit. Eu concordo que ele é um patrimônio tão valioso que é possível aumentar a geração de receita. Desde que a gente foi para Itaquera estava muito claro que tínhamos um papel dinamizador na mais populosa região da cidade. Temos responsabilidade social de tornar o estádio um polo de lazer para a zona leste. Nosso estádio tem de ser povoado por estudantes. Precisa ter atividades esportivas. Deve ter atrativos comerciais, mais lojas, mais discotecas… Quanto mais gente povoar o estádio, mais valioso ele ficará.

O senhor fala em marketing agressivo. O que significa isso?

Na primeira gestão [de Andrés  Sanchez, entre 2007 e 2011] a gente desenvolveu uma atitude de departamento comercial agregado ao marketing. A gente gosta de sair a campo e vender. O Corinthians vai escolher algumas marcas e procurá-las e mostrar porque [o clube] seria caixa de ressonância importante.

Em 2009 era possível montar um projeto em torno do Ronaldo. Hoje não há um ídolo.

O craque-símbolo é muito bom para galvanizar a paixão da torcida. Mas quando uma empresa se associa ao Corinthians, ela vê o resultado no campo. O Corinthians é o atual campeão brasileiro. Mais difícil é vender a camisa de um clube que nunca ganhou um mundial ou outro que há dez anos está em uma queda lamentável. A empresa apenas leva em consideração um grande fator, que é a sua imagem ao se ligar a um clube. Por isso o Corinthians precisa ter preocupação em estar ligado a causas sociais, ecológicas… A torcida nos dá um patrimônio com essa paixão irrestrita e isso tem um valor enorme no mercado. Cabe á diretoria do clube não manchar isso.

O que significa não manchar?

O endividamento [do estádio] é pesado e estou muito preocupado com isso. O Corinthians não conseguir pagar é grave. Resolver isso é melhorar a imagem e é a nossa prioridade. Vamos colocar esse endividamento em um patamar operacional, que possa ser honrado.

Está tudo interligado então?

Está. Este é o ponto central que levou o Andrés a colocar na mesma diretoria o marketing, a gestão da arena, a renegociação da dívida e a comunicação. Esse conjunto tem ao lado a diretoria financeira e o jurídico que vão nos dar dinamismo. E sem feudalização das diretorias onde você atende as vaidades pessoais entregando pedaços do poder.

O Corinthians tem usado a estratégia do patrocínio pontual no uniforme. Isso é evitável?

Ideal é ter menor número de patrocínios pelo maior tempo. É bom para o patrocinador e vende mais camisa. O torcedor se sente identificado. Para o marketing, é o paraíso. Gostaríamos de ter poucos patrocinadores, mas pode haver a imposição da realidade. O dever do clube é pagar os funcionários. Se a camisa do time tiver de ficar parecida com um macacão de F-1…