O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), amenizou o fato de o governador Pedro Taques (PSDB) ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que vai apurar suposto desvio de finalidade nos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“Ninguém quer uma CPI, essa é a verdade, mas também não é um bicho de 7 cabeças! Todos os governos, dos mais populares aos mais democráticos, sempre enfrentaram uma CPI, seja nacional, estadual ou municipal. Então, pelo contrário, a CPI pode ser um fórum competente pra mostrar que o governo está fora daquela situação ou que o governo tinha razão”, disse o peemedebista que também é alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores de Cuiabá instaurada em novembro de 2017 para investigar sua conduta após ter sido gravado recebendo maços de dinheiro e guardando no paletó quando era deputado estadual. 

O prefeito avaliou que, diferentemente do que foi ventilado logo no início, com denúncias da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), a investigação pode ser um “salvo-conduto” para o governador. “A CPI não só condena, quando vai investigar, ela também pode demonstrar que o acusado pode ser inocente. Então, a CPI é um instrumento democrático!”, avaliou.

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Pinheiro avalia que caso seja conduzida com responsabilidade, a CPI pode ser “um grande serviço prestado à população”. “Faz parte do processo. Como disse o governador, está na Constituição, está na lei orgânica, então, tem que ser respeitado isso. Eu vejo com naturalidade”, defendeu.

A “CPI do Paletó” na Câmara Municipal foi criada para investigar o suposto envolvimento de Emanuel Pinheiro no recebimento de propina batizada de “mensalinho”, paga pelo ex-governador Silval Barbosa. Pinheiro foi delatado por Barbosa referente ao período em que era deputado estadual e foi filmado no Palácio Paiaguás, recebendo maços de dinheiro de Sílvio Cézar Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval.

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Em relação aos efeitos do acordo de delação premiada de Silval nas eleições deste ano, Emanuel sabe que isso será utilizado entre os candidatos. “Do ponto de vista político, vai ser usado de todas as formas. Isso é normal do jogo político, até porque são denúncias graves”, disse.

Se isso será prejudicial aos concorrentes, o prefeito preferiu não afirmar. “É difícil prever, a gente não sabe a dimensão disso. Ainda existe um processo que vai ser discutido, que vai ser provado ou não vai ser provado”.