Quase metade de toda a população de coalas da Austrália tem clamídia e muitos dos animais infectados estão morrendo.

população de coalas diminuiu drasticamente nas últimas duas décadas, principalmente em decorrência de uma doença sexualmente transmissível chamada clamídia.

A ONG Australian Koala Foundation estima que só restem 43 mil coalas em ambiente silvestre. Antes de os europeus chegarem à Austrália, no século 18, havia 10 milhões desses animais.

Autoridades de Queensland, o segundo maior estado do país, dizem que 40% dos coalas da região morreram.

Contaminação

“Cerca de 50% dos coalas em toda a Austrália estão infectados”, diz Daid Wilson, professor de infectologia do Instituto Burnet, em Melbourne. “Em alguns grupos populacionais, a grande maioria pode estar contaminada – até 80%.”

A clamídia se tornou uma ameaça tão séria quanto outros fatores tradicionalmente responsáveis pela redução populacional de coalas: destruição do habitat natural, ataque de cachorros domésticos, incêndios e atropelamentos.

A clamídia transmitida aos coalas é diferente da dos humanos e dificilmente ocorre contaminação entre as duas espécies.

Transmissão

Diferentemente do que ocorre com humanos, a clamídia em marsupiais é transmitida não apenas sexualmente. As mães, por exemplo, podem infectar os filhotes pelo contato com seus fluídos corporais, que também servem de nutrientes aos recém-nascidos.

Infectologistas acreditam que os coalas adquiriram uma mutação da bactéria trazida à Austrália pela introdução de ovelhas e gados, no século 18, durante a colonização europeia.

Assim como ocorre em seres humanos, a clamídia pode causar esterilização, mas os coalas também sofrem outros efeitos, como infecção urinária, tumores e cegueira.

“Estamos vivenciado uma situação de urgência: muitos coalas estão sofrendo. Vários deles não podem mais se reproduzir. Não sabemos quantos ainda são férteis e quantos estão contaminados”, disse Michael Pyne, diretor de uma clínica veterinária em Queensland.

Mortes

De acordo com Pyne, sua clínica tem recebido cada vez mais coalas doentes. Em 2017, foram 461. “Trabalho neste hospital veterinário há 18 anos. Há 10 anos, tratamos de 28 coalas (num ano)”, disse o veterinário.