Livro propõe reflexão sobre os motivos que levam gente comum a buscar no extremismo uma resposta para seus questionamentos.

O que faz um jovem sem inclinações terroristas se tornar o executor de uma das mais brutais organizações jihadistas do mundo? O jornalista britânico Robert Verkaik tenta responder à questão no livro “Jihadi John: Como Nasce um Terrorista” (HarperCollins Brasil), que conta a vida do responsável por decapitar prisioneiros do Estado Islâmico em vídeos que chocaram o mundo. O primeiro assassinado foi o jornalista americano James Foley. Assim que as cenas da execução foram exibidas, a imprensa mundial se lançou em uma busca para revelar a identidade do carrasco. Quando descobriram que se tratava de Mohammed Emwazi, especialista em Tecnologia da Informação, o repórter Verkaik notou algo familiar: ele o havia entrevistado anos antes. A partir daí, mergulhou em uma investigação para reconstruir a trajetória do britânico de ascendência kuwaitiana. De acordo com Verkaik, o futuro terrorista começou se envolvendo com gangues muçulmanas e passou a ser monitorado pelo MI5, serviço de segurança britânico. Seu desprezo pelas autoridades cresceu após ser impedido de viajar à Tanzânia. Mesmo com toda a vigilância, ele conseguiu fugir para a Síria, onde integrou o Exército Islâmico.

Desconfiança

A história de Emwazi pode não responder plenamente à questão proposta pelo livro, já que existem inúmeras motivações que levam ao terrorismo. Mas Verkaik levanta pontos importantes. O monitoramento excessivo de órgãos como o MI5 afeta pessoas que já são obrigadas a lutar para manter sua identidade em um ambiente em que os muçulmanos são vistos com desconfiança. Em meio à onda de violência que tomou a Europa, entender esses dilemas pode evitar que outros busquem no extremismo a resposta para suas dúvidas. Foi morto na cidade de Raqqa em um ataque com drones, em janeiro de 2016.