Despesas com tratamento de vítimas têm se mantido acima de R$ 5 milhões em Cuiabá desde 2014, mas em 2016 saltou para R$ 7 milhões.

As demandas para tratamento de acidentados no trânsito sugam ao menos 50% dos serviços públicos na rede de saúde pública de Cuiabá. Os gastos com tratamento de pessoas que chegam ao pronto-socorro, principalmente, e a outras unidades com a necessidade de cirurgia e outro procedimento para pacientes graves se mantêm acima de R$ 5 milhões ao ano desde 2014 e em 2016 saltou para R$ 7,2 milhões. Os motociclitas são as principais vítimas dessas estatísticas respondendo a 60% dos casos. 

Dados são da Secretaria Municipal de Saúde que informou que cerca de 50% dos leitos do pronto-socorro estão hoje ocupados por pessoas, motoristas ou passageiros, que foram traumas no trânsito.

A despesa média mais alta corresponde a tratamento de motociclistas, que também os condutores, por tipo de veículo, que mais se envolvem em acidentes. Em 2014, cada paciente com este perfil dispensava gastos médios de R$ 1,525 mil, valor que é aproximado somente pelos gastos com vítimas de acidentes que eram ocupantes de automóveis, R$ 1,470 mil.

Em 2015, o valor teve leve queda para R$ 1,491 mil, mas saltou para R$ 2,186 mil em 2016. Neste ano, a média está em R$ 1,490 mil.

“O Ministério da Saúde paga 50% dos valores gastos com acidentados, a outra metade é coberta pelo município. Isso significa que nos últimos anos, temos tido despesas acima R$ 2 milhões só para tratar aqueles pacientes que chegam ao hospital com a necessidade de algum procedimento mais complexo. Os números não contam aquelas pessoas que vão para UPA (Unidade de Pronto Atendimento) porque teve tontura, algum arranhado ou traumatismos mais leves”, diz a secretária Elizeth Lúcia de Araújo.

Sobrecarga no SUS

Ela diz ainda que as despesas aumentam se fossem contabilizados os valores de tratamento de situação de pós-cirurgia e internação na UTI. Geralmente, as vítimas de acidentes que passam por operação ficam ao menos trinta dias internadas; em casos com sequelas, o tratamento se estende por quatro meses ou até mesmo para o resto da vida do paciente.

“Há pacientes que precisam ir periodicamente ao hospital para algum tipo tratamento das sequelas do traumatismo do acidente, e esse tempo varia de quatro, seis meses e até para o resto da vida do acidentado”.

Piloto ou garupa de motocicletas são mais de 60% das vítimas de acidentes tratadas na rede pública. Em Cuiabá, dos 2.205 tratados em 2014, 62,4% tinham esse perfil; em 2015, dos 2.062 eles corresponderam a 63%; em 2016, 61,7% dos 3.164 pacientes e 2017 67,1% dos 2.110 que deram entrada até setembro.

Esses números são superiores a soma dos seis tipos de acidentados tratados na rede pública, com média de: pedestre (20%), ciclista (3%), ocupante de triciclo (0,1%), ocupante de automóvel (0,5%), ocupante de veículo pesado (0,1%), outros acidentes (15%).

Levantamento da SES (Secretaria Estadual de Saúde), com base em atendimentos do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), informa 6.754 acidentes de trânsito com vítimas em Mato Grosso, de janeiro a outubro. Desse total, 5.143 envolveram pessoas em motocicletas.

Serviço público: primeira parada

A secretaria Elizeth Lúcia de Araújo afirma que os hospitais públicos são as primeiras unidades a receber acidentados de transito. Mesmo em caso de pessoas com planos de saúde.

“Isso acontece por uma questão prática. É o Samu que atende e se a vítima for levada para um hospital particular e não tiver em condições de ser atendidas, por motivos do plano, e acontecer alguma coisa pior, é a prefeitura quem será responsabilizada”.

No caso de Cuiabá, o sobrecarregamento também ocorre pela falta de estrutura de hospitais no interior de Mato Grosso. Elizeth afirma que cerca de 50% das pessoas que estão nos corredores do pronto-socorro na capital são acidentados, a porcentagem também é válida para internados em setores de alto risco.

“Acredito que até 54% das pessoas no corredor do pronto-socorro, que estão lá porque não tem onde serem acomodadas, são de acidentados. Nas internações também, se houvesse redução no número de atendimentos, acredito que 50% das vagas ficariam disponíveis”.

Imprudência, alta velocidade e álcool

A secretaria afirma ainda que a grande maioria das vítimas que chegam ao hospital público é de pessoas envolvidas em acidentes causados por imprudência, alta velocidade e motorista alcoolizado; fatores que não aparecem necessariamente juntos, mas cujo caso em que aparecem não é raro.

“Os acidentes são causados por pessoas imprudentes que tentam fazer alguma manobra irregular ou arriscada, ou os motoristas estavam em alta velocidade ou alcoolizados. São os principais fatores dos acidentes em Cuiabá, que apesar de ter número alto, se mantém na média do país”, explica.

A gestora afirma que está sendo montado, junto com a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), um estudo para identificar quais são os pontos em que mais ocorrem acidentes em Cuiabá, quais as situações do acidente e qual o perfil do motorista. O objetivo é traçar recorte para a produção de campanhas educativas mais efetivas.

“Queremos começar logo no começo de 2018 esse estudo. A situação é muito grave e precisamos identificar o que está realmente ocorrendo. Além disso, a Secretaria de Mobilidade está reativando algumas campanhas para conscientizar motoristas”.