Um dos primeiros projetos para a colaboração na plataforma será para combater queimadas em Bom Jesus do Araguaia, em MT.

ma inovadora iniciativa promete reunir o financiamento coletivo de projetos sociais e ambientais que ajudem a buscar soluções sustentáveis para o agronegócio. O nome da iniciativa é Instituto “Agrofunding”, a primeira plataforma nacional de crowdfunding para o agronegócio. Outra novidade é que dos primeiros projetos que estarão abertos nos próximos meses para a colaboração na plataforma será em Mato Grosso.

São eles uma brigada contra incêndios em terras indígenas e em unidades de conservação em Barra do Bugres, região nordeste de Mato Grosso; uma ação para fomentar a educação ambiental em escolas rurais; e outra para recuperar áreas degradadas e oferecer apoio a aldeias dos Xavantes em Bom Jesus do Araguaia (MT).

A proposta de criar a plataforma de projetos sociais para o agronegócio surgiu do economista e consultor Hélcio Botelho, do engenheiro João Milhomen e do consultor de marketing, Aloisio Brandão. O agrofunding oferece a oportunidade de uma nova forma de financiamento, que faz com que projetos de interesse coletivo nas áreas de Sustentabilidade, Agricultura de Precisão, Produção Agroecológica e Startups de Tecnologia de Produção possam obter o apoio necessário.

“Pretendemos ser apenas os intermediadores de boas ideias, esse é o mote da plataforma. Queremos divulgar, o micro, o grande, e todos os bons projetos do setor”, explica o consultor Aloisio Brandão.

A princípio, o projeto deve passa por uma curadoria, que vai avaliar o seu potencial técnico. “Só depois de ser comprovada a sua viabilidade e eficácia que vamos impulsionar as propostas através da plataforma. As doações podem vir por empresas, pessoas físicas, entre outras possibilidades. Os projetos também podem partir de uma pessoa, universidade, acadêmicos, terceiro setor, entre outros”, afirma Brandão.

Segundo dados do Instituto, mais de U$$ 34 bilhões foram arrecadados em 2015, em projetos na área de negócios ou empreendedorismo representam 41,26% do total de aportes recebidos. Projetos sociais arrecadaram 18,85% desse montante.

O modelo de financiamento coletivo aplicado à agricultura, aliado à preservação do meio ambiente, tem a possibilidade de impactar muitas comunidades e consequentemente o clima, conservando os remanescentes de vegetação nativa, recomposição dos passivos ambientais e a inclusão socioeconômica da agricultura familiar. Tudo isso contribui para as políticas de redução de emissões e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

“Também queremos promover a inovação. A ideia é que surjam concursos de Startups, para que jovens possam concorrer com premiações”, explica Brandão. A proposta do economista e consultor Hélcio Botelho e do engenheiro João Milhomen, idealizadores do projeto, é que o Agrofunding se transforme em uma espécie de Catarse, plataforma de financiamento coletivo mais conhecida do gênero no país e que costuma financiar sobretudo projetos culturais nas áreas musical e editorial.

No crowfunding, quem contribui geralmente é recompensado com o anúncio de seu produto, e a plataforma cobra royalties sobre o valor financiado para divulgar a iniciativa. Um mercado que, segundo o Banco Mundial, movimenta anualmente cerca de US$ 36 bilhões. No caso do Agrofunding, o foco é que todos os projetos promovidos no site tenham apelo social.

O instituto acaba de assinar seu primeiro contrato com a Aliança da Terra, ONG ligada a projetos ambientais no segmento agropecuário. Com sede em Goiânia, a Aliança tem uma década de existência e está presente em 14 Estados do país, além de atuar no México, no Paraguai e na Colômbia

A ONG faz a certificação ambiental de todas as fazendas fornecedoras de carne da raça Rubia Gallega para a rede varejista Pão de Açúcar – justamente o tipo de projeto que poderia ser propagado pela plataforma do Instituto Agrofunding. Os projetos do Instituto que serão lançados em Mato Grosso devem ocorrer em parceria com a Aliança da Terra.

“Criamos a plataforma porque percebemos que há uma carência nesse setor, não há crowdfunding ligado ao agronegócio no Brasil. Uma de nossas fontes de inspiração foi a AG Funding ( Open Agriculture Funding ) que fica no EUA. Porém, aqui somos os primeiros, mas estamos otimistas, pois o retorno está sendo muito grande”, conclui Brandão.