Inpe registrou mais de 43 mil casos no Estado de janeiro à segunda semana de dezembro, enquanto no país a quantidade já ultrapassou 270 mil.

Mato Grosso segue na lista dos Estados que mais destroem mata nativa no País. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 43.987 focos de incêndio em todo o Estado de janeiro à segunda semana dezembro deste ano, quantidade que o coloca na segunda posição no ranking, atrás apenas do Pará, Estado com que, ao longo dos muitos anos, Mato Grosso alterna na liderança de ocorrências.

O número de casos registrados em Mato Grosso continua alto mesmo com a redução no número de municípios dentre os mais desmatadores. Apenas Colniza (1.065 km de Cuiabá), na sexta posição, para lista do Inpe. Até 2016, a quantidade de representantes ficava acima de três municípios.

Outra grave constatação é de que o período proibitivo de queimadas – historicamente delimitado entre julho e setembro – tem tido pouco efeito na redução de focos de incêndio. Neste período o Inpe identificou 31.599 focos no estado, a maior parte em Colniza, palco da chacina de nove trabalhadores rurais em abril e da morte do prefeito Esvandir Antonio Mendes (PSB) na sexta-feira.

No Brasil, no ano de 2017 termina com um número recorde de queimadas desde 1999, quando teve início a série histórica do Inpe. A análise dos locais onde os incêndios ocorreram mostra que o fogo aumentou em áreas de floresta natural, avançando em pontos onde antes não havia registro de chamas, e atingindo unidades de conservação e terras indígenas. Entre todos os biomas, o Cerrado foi o que teve mais unidades de conservação atingidas, contabilizando 75% de toda a destruição nas áreas protegidas.

Até agora, foram registrados cerca de 272 mil focos de fogo, 46% a mais do que em 2016 e acima do recorde anterior, de 2004, quando foram detectados 270 mil pontos de calor. Incêndios criminosos destruíram 986 mil hectares de unidades de conservação, o que corresponde a quase oito vezes a área da cidade do Rio.

O número ficou próximo do registrado no ano passado, quando foram destruídos cerca de 1 milhão de hectares. Nas terras indígenas, os focos aumentaram 70% e ultrapassaram sete mil.

O Pará, líder no ranking, teve no período 64.983 ocorrências de focos de incêndio.

Embora o Cerrado tenha tido, proporcionalmente, mais unidades de conservação atingidas, a Amazônia concentrou mais da metade dos focos de queimadas em 2017, segundo dados do ICMBio. (Com informações de O Globo)