A alegria de ir para a escola aprender coisas novas e encontrar os amigos sumia sempre que Giovanna Gabriely Santana de Lima, 7, passava próximo à estação de metrô Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife (PE).

A cena de dezenas de cachorros comendo restos de lixo chamava a atenção da menina. “Mainha, por que eles comem resto de comida?”, perguntou à dona de casa Gabriela Vanessa Santana, 32. A mãe respondeu que eles “eram da rua”. Giovanna não se conformou. “Mainha, ninguém nasce na rua. Todo mundo tem pai e mãe. Alguém os abandonou”, disse.

A contundência da filha emocionou a mãe, que propôs que as duas ajudassem os animais. Conversando com o pai, o segurança Janyson França de Lima, 37, surgiu a ideia de construir uma estrutura para ração e água, pela qual, além de Giovanna, outras pessoas pudessem ajudar.

Com paletes encontrados no lixo da feira perto de casa, a família construiu o suporte em que foram colocados dois recipientes de plástico. Na parte de cima, a placa com a frase inspirada no que disse Giovanna: “Eles não são de rua. Eles foram abandonados. Contribua com o abastecimento e ajude a cuidar”.

“Eu ficava muito triste porque eles não tinham água nem comida. Gosto muito de animais e queria ajudar”, disse Giovanna à Folha. “Hoje estão felizes porque têm ração.” Gabriela disse que a menina faz questão de ir todos os dias olhar os recipientes e repor a ração. “Os cachorros já a conhecem, eles se aproximam e ela faz carinho.”

Gabriela disse que desde mais nova Giovanna já demonstrava amor pelos animais. Há três anos seu “melhor amigo” é Pingo, um yorkshire terrier que mora com a família. Foi depois que passou a fazer parte de um grupo de escoteiros, porém, que o interesse aumentou.

Desde o ano passado, todos os sábados ela participa das atividades do 96º grupo Escoteiro Brantmeesters, do Corpo de Bombeiros. No sábado (20), Giovanna apresentou a iniciativa a outras crianças. A exposição –que foi o ponto alto do dia da educação escoteira, comemorada em todo o Brasil– marcou um mês de “inauguração” do ponto de doação para os cachorros.

Gabriela diz que a ideia será transformada em projeto no grupo de escoteiros –os 17 participantes vão instalar um suporte em outros pontos.