Numa briga que opõe vaidades e R$ 130 bilhões, o ex-bilionário Eike Batista, em prisão domiciliar, se vê obrigado a pedir de volta o dinheiro que deu ao filho Thor — diretor do grupo EBX desde 2012 e hoje com outros planos de negócio.

Por mais esse revés o ex-bilionário Eike Batista não esperava. Pouco antes de seu império empresarial entrar em colapso, o homem que chegou a figurar na lista dos mais dez mais ricos do mundo transferiu uma bolada de R$ 130 milhões para o filho mais velho, Thor, de 25 anos. O gesto de generosidade visava garantir o futuro do primogênito e do irmão dele, Olin, além de preservar pelo menos uma parte do patrimônio familiar que àquela altura já dava sinais de que iria ruir. Mais uma vez, as coisas não se desenrolaram exatamente como Eike havia projetado. Assim que saiu da cadeia para cumprir prisão domiciliar no processo em que é acusado pagamento de US$ 16 milhões em propinas para o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o empresário se viu obrigado a pedir ao filho uma parte do dinheiro que antes brotava sem muito esforço. De início, Thor concordou em ajudar o pai. Na semana passada, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, soltou uma nota afirmando que Thor não estaria mais disposto a ceder aos pedidos de Eike. O que poderia ser mera — e talvez até passageira — desavença familiar, revela o contraste entre os mundos em que vivem o hoje poderoso Thor e o empobrecido Eike.

Na diretoria do grupo EBX, fundado pelo pai, Thor está à frente de vários negócios falidos. Apesar das atribuições e da responsabilidade que o cargo demanda, sua prioridade parece ser cuidar dos próprios interesses. Ele gasta seu tempo e dinheiro fazendo as coisas que mais gosta: namorar, praticar musculação, viajar e pilotar carrões, um dos gostos que herdou do pai. Em setembro, o filho mais velho de Eike e de Luma de Oliveira apareceu pilotando uma máquina Mercedes-Benz Brabus S65 Rocket 900, que custa a bagatela de R$ 3 milhões. O brinquedinho de luxo foi adquirido antes de Eike ter sido preso pela Polícia Federal. O gosto de Thor pelo excesso de velocidade ficou conhecido em 2012, depois que atropelou e matou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, na rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias. O herdeiro de Eike estava em alta velocidade quando atingiu o ajudante de caminhão que ia comprar ingredientes para o bolo de aniversário da esposa. Em 2015, Thor foi absolvido. Na época do acidente, Eike chegou a defender o filho por meio das redes sociais e colocou a culpa na vítima. “A imprudência do ciclista poderia ter causado três mortes”, afirmou o empresário pelo Twitter.

De olho em uma carreira executiva fora da EBX, Thor pretende lançar uma bebida enregética afrodisíaca — que o pai aprova

Caso fosse condenado, Thor não teria direito a cela especial, por não ter diploma universitário. Ele frequentou apenas o primeiro ano da faculdade de Economia no Ibmec. Em uma entrevista em 2011, Thor afirmou que nunca tinha lido um livro completo. “Na época da escola, copiava os resumos da internet para fazer as provas”, disse. Desde os 18 anos passou a acompanhar o pai eventualmente na EBX e ganhou uma sala da empresa, mas nunca revelou grande traquejo para os negócios. Certa vez, quando Eike ainda se gabava de ter a sétima fortuna do mundo, Thor anunciou que pretendia montar uma sociedade para instalar no Rio de Janeiro uma casa noturna da rede Pacha, nascida em Ibiza, Espanha. O projeto, porém, não prosperou.

Anabolizante

De olho em uma carreira de executivo fora da EBX, Thor espera colocar em prática alguns projetos de negócios bem mais modestos do que aqueles criados pelo pai. Resolveu abrir sua própria empresa e está reformando um novo escritório no bairro de Humaitá, na zona Sul do Rio. Uma de suas antigas ideias é lançar uma marca de bebida energética afrodisíaca que Eike, inclusive, já teria provado e aprovado. Adepto do fisiculturismo, ele dá provas de que a vaidade está em seu DNA. Ele foi criado por pais que se preocupam com a aparência e não escondem isso de ninguém. Em uma entrevista, assumiu o uso do anabolizante dehidroepiandrosterona (DHEA), garantindo que a administração tinha acompanhamento médico.

Até agora não havia indicações de conflitos entre Thor e Eike. O filho sempre defendeu o pai e dizia que ele fracassou nos seus planos faraônicos porque foi enganado por executivos ambiciosos. Eike também era o primeiro a proteger o filho em qualquer situação. Procurado pela reportagem, Thor não se pronunciou, assim como a namorada Lunara Campos que na semana passada mudou o status de sua conta no Instagram de público para privado. Também procurado, Olin Batista, filho mais novo de Eike, afirmou por meio de sua assessoria que não tinha nada para comentar sobre o assunto.

Estilo de vida luxuoso

Thor e a namorada Lunara Campos em Dubai, para onde o casal foi no final do ano passado. Antes, tiveram uma temporada de luxo nas ilhas Maldivas. Lunara gosta de mostrar em sua conta no Instagram fotos de cada local que visita e os passeios que faz ao lado do namorado.

Thor também é dedicado à mídia social, onde exibe os músculos bem definidos.