Vivemos a era da tecnologia, da informação e tudo que se faz, em qualquer lugar do mundo, está em constante vigilância. Será que hoje existem maiores catástofres que antigamente, ou será que hoje temos mais informação e qualquer coisa que aconteça, temos imagens em tempo real? Assim é na política, o que acontece, sabemos em tempo real. Este avanço permite uma melhor percepção dos atos políticos e maior transparência, também se vê melhor a “sujeira”. Ninguém sabia que Franklin Roosevelt era paraplégico. Da intensa vida sexual de John Kennedy, nada se falava. Mas em 1988 um democrata que tinha boas chances de ser indicado candidato, o Senador Gary Hart, foi surpreendido com a amante. Isso acabou com a sua candidatura. É ruim liquidar as aspirações políticas de uma pessoa, por causa de sua vida privada? Sim, mas também é sinal de que as coisas antes não divulgadas passaram a se tornar públicas. Uma demanda ampla de transparência faz o que era escondido ficar visível.

Vivemos um momento de transição, em as pessoas percebem a sujeira, têm asco por ela, desprezo pelos que a exercem, tédio eventualmente por terem que participar disso, mas isso tudo é quase como uma dor de parto. Chegará o momento de pensar que será preciso limpar essa sujeira.

Assim como as pessoas hoje fazem voluntariado, porque constatam que o Estado não cumpre seu papel a contento, deverá chegar um momento em que percebam que não adianta se alhear dele: é preciso investir suas energias na construção de um Estado realmente comprometido com a coisa pública.

Mais um ponto: a percepção da corrupção deixou de ser um fenômeno de terceiro mundo. Vinte anos atrás, afirmávamos que o Brasil era um país corrupto, mas não a França. Hoje não podemos dizer isso. Certamente o vice-presidente de George W. Bush, o primeiro-ministro Berlusconi, o presidente Chirac ficaram com má fama em termos morais. Então, identificar a corrupção ao atraso não funciona mais, até porque, em nosso caso, o Brasil avançou muito politicamente.

Temos hoje uma democracia consolidada, algo inédito em nossa história. Contudo, a democracia ainda não trouxe para nós os bens sociais que trouxe para Espanha, por exemplo. Na Espanha , há 30 ou 40 anos tinha-se uma realidade muito parecida com a do Brasil, só que aquele país deu um salto. Em suma, 40 anos atrás associaríamos o atraso no desenvolvimento social à corrupção; hoje, temos que convir que sociedades, como a norte-americana de fins do século XIX, avançaram muito socialmente, mesmo tendo uma política corrupta.

A segunda metade do século XX vai trazer a valorização da democracia. Aliás, quando se fala a respeito dos Estados Unidos e de Kennedy, lembramo-nos dos movimentos sociais, como o movimento dos direitos dos negros, das mulheres, do movimento contra a Guerra do Vietnã…. Os movimentos sociais no Brasil foram contra a caristia, pela terra, entre outros. Vemos que o debate sobre a propriedade no Brasil continua sendo feito só pelo MST, que ainda é um remanescente das discussões dos anos de 1960 e 1970 da Igreja Católica no Brasil. Os movimentos sociais trouxeram a necessidade de uma presença da DEMOCRACIA como igualdade de participação. È verdade que, a história brasileira, ela é um pouco mais complicada, pois, como se sabe, nossa colonização começou em 1500, e até 1808 nem NAÇÃO éramos ainda. Aliás, somos a única experiência da história que teve um governo inteiro importado: do Rei ao funcionário mais banal. De um dia para o outro a COLÔNIA acordou METRÓPOLE. Portanto, não tivemos a constituição do ESTADO, nossa REPÚBLICA não existia, nossa INDEPENDÊNCIA foi proclamada pelo COLONIZADOR, e a REPÚBLICA foi proclamada por um MONARQUISTA, o marechal Deodoro da Fonseca, que era então Ministro da Guerra do Imperador Pedro II.

A primeira vez que todos os cidadãos, inclusive analfabetos, puderam votar no Brasil foi em 1989, certo? Nós tínhamos 489 anos sobre 515 de história quando o analfabeto pôde votar no país pela primeira vez.  Completando o raciocínio de 515 anos de história, temos apenas 25 anos de DEMOCRACIA formal.

Agora chegamos ao ponto crucial da história democrática do Brasil, a novidade não é a CORRUPÇÃO e sim a APURAÇÃO. A TRANSPARÊNCIA nos propicia isso na POLÍTICA, o aparecimento de todas as FALCATRUAS e DESMANDOS da MÁ POLÍTICA. Um jovem vê CPI, apuração, corrupção, e pensa que está no pior dos mundos, mas ele não vivenciou o momento anterior desse processo. É como se assistíssemos ao segundo tempo de um jogo de futebol, sem termos visto o que aconteceu no primeiro. É preciso olhar o conjunto. Com isso a DEMOCRACIA não perde prestígio, mas se torna, felizmente, ÓBVIA. Isto é um avanço, ou seja, uma evolução positiva, a DEMOCRACIA se tornou um VALOR a ser PROTEGIDO! Pense nisso!!!!!

Bem amigos, por ora é só, mas desde já, fico a espreita de nosso próximo encontro, aqui neste espaço, ”CANTINHO DA REFLEXÃO”. Abraço a todos!!!

Por: Marco Antônio Giudice – Médico Veterinário em Guarantã do Norte.