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Coronel PM Evandro Lesco prestou depoimento à polícia antes que inquéritos fossem remetidos ao Superior Tribunal de Justiça. Ele está preso desde o dia 27 de setembro em Cuiabá.

oronel da Polícia Militar, Evandro Lesco, afirmou em depoimento à delegada Ana Cristina Feldner que o plano para tentar afastar das investigações o desembargador Orlando Perri, que era relator do inquérito dos grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, foi criado por ele para beneficiar apenas a si mesmo. Lesco, que é ex-chefe da Casa Militar, está preso desde o dia 27 de setembro por suspeita de envolvimento em um esquema de grampos clandestinos no estado.

Durante o depoimento, Lesco chegou a chorar. Ele confessou sua participação no plano, afirmando que dava ordens ao sargento PM João Ricardo Soler e à mulher dele, Helen Lesco – que também foram presos na Operação Esdras – e que determinou a instalação de uma microcâmera na farda do tenente-coronel José Henrique Costa Soares, que atuava como escrivão nas investigações dos grampos na PM e denunciou o plano à polícia. Soares afirma que foi coagido a participar do plano.

Lesco disse que foi procurado pelo tenente-coronel José Soares, que teria oferecido informações sobre as investigações e reforçou que foi o sargento Soler quem instalou a câmera na farda.

“A tentativa de filmar uma reunião em que poderia estar presente o relator partiu da minha iniciativa. [Foi uma] atitude egoísta, eu queria só me beneficiar. Eu estava em prisão domiciliar e estava preocupado com a minha situação”, afirmou.

O coronel disse que ele e os demais envolvidos chegaram a conversar sobre como o plano era arriscado e afirmou que, ao mandar Soler preparar a farda, não revelou qual seria o propósito da ação. Ele disse, ainda, que reconhece o crime que cometeu e que está arrependido.

“Reconheço e me arrependo profundamente de ter proposto isso a ele. A iniciativa dele de se arrepender e ter denuciado isso, acredito que foi a atitude correta. Mas a proposta foi minha”, disse.

Lesco disse, ainda, que se negou a confessar o crime nas duas outras ocasiões em que foi intimado a prestar depoimento porque precisava da assistência do advogado dele.
O coronel afirmou, ainda, que foi ele quem realizou a compra do equipamento instalado na farda do tenente-coronel Soares, mas que irá esclarecer os recursos e a origem da microcâmera no outro inquérito, que apura a ação da organização criminosa que teria grampeado centenas de pessoas no estado entre 2014 e 2015, entre políticos de oposição ao atual governo, advogados e jornalistas.

Segundo informações que a reportagem teve acesso, após prestar esse depoimento, Lesco ainda procurou a polícia para dar detalhes sobre o esquema de interceptações clandestinas, mas o caso foi levado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, antes que o novo depoimento fosse prestado.

Operação Esdras
O coronel da PM foi preso durante a Operação Esdras, deflagrada pela Polícia Civil após depoimento do tenente-coronel José Henrique Costa Soares, escrivão no inquérito policial militar que apura o esquema dos grampos. Ele revelou os “novos participantes” do suposto grupo criminoso, segundo a polícia.

Além de Lesco, da mulher dele e do sargento Soler, também foram presos na operação o então secretário de Segurança Pública do estado, Rogers Jarbas, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques – primo do governador Pedro Taques (PSDB) -, o então secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira e o major Michel Ferronato. O empresário José Marilson da Silva também foi preso, mas, foi solto após contribuir com as investigações.