Pela primeira vez, “Dia do Guerrilheiro Heroico” é festejado sem a presença de Fidel Castro, seu parceiro na Revolução Cubana, que morreu no ano passado.

Cubanos saíram às ruas de Havana neste domingo para homenagear Ernesto Che Guevara pelos 50 anos de sua morte, ocorrida em 9 de outubro de 1967, na Bolívia. Esta é a primeira vez em que a ilha celebra o “Dia do Guerrilheiro Heroico” sem a presença de Fidel Castro, seu grande parceiro durante a Revolução Cubana, que morreu em novembro do ano passado, aos 90 anos.

Em Cuba, onde todos os alunos começam o dia prestando o sermão dos “pioneiros” e prometendo “ser como Che” no mausoléu que abriga os restos mortais do guerrilheiro argentino, estão programadas cerimônias comemorativas comandadas pelo presidente Raúl Castro, sucessor de seu irmão Fidel.

Uma comitiva oficial que inclui os quatro filhos de Che, Aleida, Celia, Camilo e Ernesto, nascidos e residentes em Cuba, partiu no sábado rumo a La Higuera, vilarejo no sul da Bolívia onde o guerrilheiro foi executado em 1967.

A comitiva é liderada pelo comandante Ramiro Valdés, muito próximo a Che em sua campanha militar em Cuba. Também fazem parte dois militares cubanos sobreviventes da guerrilha boliviana, o general Harry Villegas (Pombo) e o coronel Leonardo Tamayo (Urbano).

Ernesto Che Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967 pelo Exército boliviano depois de ser ferido em batalha, e executado no dia seguinte. As homenagens são, tradicionalmente, realizadas no dia de sua captura.

Medicina, guerrilhas e morte na selva boliviana

Naquele 8 de outubro, acompanhado por dois agentes cubano-americanos da CIA, o Exército boliviano capturou Che. Ele liderava um grupo de guerrilheiros que haviam sobrevivido a combates, fome e doenças. Guevara foi levado para uma escola abandonada, onde passou sua última noite. Na tarde seguinte, foi executado sumariamente por Mario Teran, um sargento boliviano, aos 39 anos.

Depois de estudar Medicina na Argentina e de várias jornadas que forjaram suas convicções, Che viajou pelo continente americano e conheceu Raul e Fidel Castro no México, antes de participar da guerrilha que levou à tomada do poder em Havana, em 1959.

Foi em Cuba que Ernesto Guevara recebeu o apelido de “Che”, uma típica interjeição argentina usada para atrair a atenção do interlocutor, cumprimentá-lo, ou expressar surpresa. Após supervisionar por seis meses a repressão dos “contrarrevolucionários” – fato que nunca negou -, Guevara dirigiu por um tempo o Banco Central cubano e o Ministério da Indústria.

Mentor da aproximação da Revolução Cubana com Moscou, afastou-se posteriormente das posições soviéticas favoráveis ​​à “convivência pacífica” com o bloco ocidental para defender uma estratégia de conquista do poder pelas armas, mais perto do maoísmo. “Outras terras do mundo reclamam a contribuição de meus modestos esforços”, escreveu Che para Fidel em 1965, ao pedir uma licença para levar a luta insurrecional para a África, em particular. Ele terminou essa carta com sua famosa frase: “Hasta la victoria, siempre” (“Até a vitória, sempre!”).

Seguiram-se meses de “desaparecimento”, enquanto esteve no Congo tentando (sem sucesso) impor uma revolução armada para, então, embarcar em sua última guerra na Bolívia.